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acessado em 22/03/09 às 22h4845min
Temidos pelos espanhóis e portugueses desde os primeiros contatos, a nação Guaicuru dominou todo o sul do Pantanal, atacando a todos que se colocassem no seu caminho, espalhando terror na região por centenas de anos. Com o cavalo se mantinham à custa de pilhagem e da submissão de outras tribos de origem chaquenha, atacando pequenos vilarejos, fossem espanhóis ou portugueses, gerando pânico entre seus moradores, sempre ampliando seus domínios.
Os Guaicuru iniciaram sua trajetória a partir de 1650, quando aprenderam a domesticar o cavalo, fruto de seus ataques no Paraguai. As pastagens naturais favoreceram a multiplicação natural do novo elemento, que foi incorporado de tal forma que passaram a ser conhecidos e o são até hoje como os índios cavaleiros do Pantanal.
Nas cargas de cavalaria, sua tática consistia em reunir uma tropa numerosa de cavalos selvagens, lançados à frente sem cavaleiros, misturando os índios aos últimos animais. Cada guerreiro, unicamente apoiado no estribo direito, segurava a crina com a mão esquerda e mantinha-se suspenso e deitado de lado, no sentido do corpo do cavalo. Conservando essa atitude até chegar ao alcance do inimigo, quando se erguia e combatia com vantagem, no meio a desordem provocada pelo ataque.
A situação chegou ao ponto de a coroa portuguesa ser obrigada, em 1791, a assinar o primeiro Tratado de Paz e Amizade com os índios, passando a tratar os caciques como "capitães generais". Estratégia que foi utilizada em 1864 na Guerra do Paraguai, quando foram convocados para defender o território brasileiro, ganhando como recompensa as terras onde residem hoje. Esses heróis desconhecidos impediram a invasão dos castelhanos e do exército do Paraguai.
Encravada em uma região estratégica do Pantanal, de grande beleza natural, a reserva de 538 mil hectares ficou conhecida como Campo dos Índios, nome dado pelos fazendeiros que nas agruras das enchentes recorriam aos índios para salvar suas criações das intempéries da natureza. Seus ataques foram imortalizados e conhecidos no mundo inteiro pela gravura do artista francês Jean Baptiste Debret, em 1834, com a famosa carga de cavalaria. O paisagista italiano Guido Boggiani visitou a aldeia dos índios e em 1892 retornou a Itália com centenas de desenhos e peças de cerâmica.
Em conseqüência das guerras, restaram apenas dois mil de seus remanescentes conhecidos como Kadiwéu. Atualmente vivem na reserva administrando suas terras e comercializam suas peças de cerâmica.